Brasil é reconhecido internacionalmente como livre da febre aftosa sem uso de vacina e mira novos mercados de carne
05 de Junho de 2025 - Redação Pernambués agora
Foto: MAPA/Divulgação
Em meio às ações contra a gripe aviária, o Brasil comemora um marco importante na área sanitária: foi oficialmente certificado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre da febre aftosa sem necessidade de vacinação.
Essa conquista abre portas para mercados mais exigentes e com maior retorno financeiro. Hoje, o Brasil é o segundo maior produtor global de carne bovina, ficando atrás apenas dos EUA, e lidera as exportações do setor. Em 2023, o país exportou 2,9 milhões de toneladas de carne, arrecadando US$ 12,9 bilhões, de acordo com a Abiec.
Com o novo status, a vacinação deixa de ser obrigatória. No entanto, especialistas alertam que isso aumenta a responsabilidade em relação à vigilância e controle sanitário. “Sem uma boa estrutura de vigilância e resposta emergencial, o risco de surtos é muito maior”, afirma Pedro de Camargo Neto, ex-presidente do Fundepec.
A medida exigirá resposta rápida em caso de focos da doença, com ações que envolvam desde o produtor rural até os serviços oficiais. Gedeão Pereira, vice da CNA, destaca que o reconhecimento internacional exige um esforço coletivo dos produtores e das autoridades. Para o presidente da entidade, João Martins, trata-se de uma vitória nacional.
A Abiec já observa reflexos positivos: países como Filipinas e Indonésia demonstraram interesse imediato em importar miúdos bovinos. Japão também se prepara para enviar uma missão técnica ao Brasil.
Apesar da conquista, o governo precisará revisar e renegociar diversos acordos sanitários internacionais. Outro desafio é o controle de fronteiras e o combate a espécies invasoras, como o javaporco. Segundo especialistas, esses fatores aumentam os riscos de reintrodução do vírus.
A febre aftosa não dá sinais no Brasil desde 2006. Santa Catarina foi pioneira, sendo declarada livre da doença sem vacinação em 2007. Atualmente, manter o status exige vigilância contínua e políticas públicas firmes.
Casos como o da Alemanha, que voltou a registrar a doença após 40 anos, demonstram que a prevenção deve ser permanente. Um fundo de compensação também é defendido por especialistas para reduzir o impacto econômico de possíveis surtos.
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