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Suíca destaca a importância da representatividade negra nos 44 anos de morte de Steve Biko

12 de Setembro de 2021 - Pernambués Agora com informações acervo Folha de SP e Fundação Palmares (2012)
[Suíca destaca a importância da representatividade negra nos 44 anos de morte de Steve Biko]

Foi em 12 de setembro de 1977, que a história perdeu um dos maiores contestadores do regime Apartheid

Stephen Bantu Biko, também era conhecido por ser um dos principais idealizadores do movimento de Consciência Negra, que contrapõe o processo de desumanização imposto aos negros. O dia foi rememorado pelo vereador de Salvador, Luiz Carlos Suíca (PT). Para Suíca, o líder é uma das maiores forças que o incentiva na política e na luta incessante pelo protagonismo e reconhecimento dos negros na história. 

“Para ‘Steve Biko’, a verdadeira mudança viria através do povo preto consciente e como agente de mudança. Ele criou o ‘Movimento da Consciência Negra’, que mobilizava e capacitava a população. Essa é uma das forças que me move como político e como pessoa: dar oportunidade, protagonismo e referência a pessoas pretas para que elas se tornem a mudança das suas próprias vidas e da sociedade. ‘Nós por nós’ se trata disso. A mudança virá por nossas mãos, povo preto!”, ressalta Suíca, ao lembrar da morte prematura e cruel de Biko. 

A morte de Biko
Ele morreu aos 30 anos, vítima de danos cerebrais devido a torturas, quando acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro. Steve foi reconhecido em um bloqueio rodoviário organizado pela polícia sul-africana, em 6 de setembro de 1977. Levado sob custódia, foi torturado. Em 12 de setembro, a polícia divulgou sua morte como sendo consequência de uma greve de fome, o que a autópsia revelou ser mentira. 

Steve Biko morreu de hemorragia cerebral após espancamento. A morte de Biko provocou manifestações em várias localidades pelo mundo e ele logo foi alçado à mártir, inspirando outros a lutar pela igualdade dos direitos entre negros e brancos. Como retaliação, o governo da África do Sul baniu organizações (principalmente as em que Biko trabalhou) e pessoas que se manifestaram contra o Apartheid.  

Seus escritos e ativismo tentou capacitar as pessoas negras. ‘Black is beautiful’ era o slogan que o próprio descreveu como: "você está bem como você é, comece a olhar para si mesmo como um ser humano". “A essência da Consciência Negra é a conscientização por parte do negro da necessidade de se unir a seus irmãos em torno da causa de sua opressão: a negritude de sua pele”, explica Steve Biko no livro ‘Escrevo O Que Quero’, que reúne panfletos e artigos do ativista sobre a situação do negro na África do Sul.

É sobre esse sentido de comunidade que o discurso de Steve Biko conquista a atenção de jovens militantes nos dias atuais. Em mais uma passagem de seu livro, Biko questionou: “Talvez seja conveniente começar examinando por que é preciso pensarmos coletivamente sobre um problema que nunca criamos”. Esse questionamento foi alicerce de sua militância.

 

Foto: John F. Burns/New York Times

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