Política

Secretário José Carlos Aleluia critica ação do MP-BA contra obra viária

08 de Agosto de 2013 - Piatã

Órgão considera ilegais as licenças ambientais expedidas pela gestão municipal passada.

Foto: Fernando Amorim/ Ag. A TardeObras está sendo questionada pelo MP-BA.

A construção de duas pontes sobre o rio Trobogy, atrás do Shopping Paralela, obra considerada importante para a mobilidade de Salvador pela gestão municipal, está sendo questionada pelo Ministério Público estadual (MP-BA), que considera ilegais as licenças ambientais expedidas pela administração municipal passada.

As pontes fazem parte de uma via marginal que está sendo construída pelo shopping para ligar a Paralela à avenida Tamborogy, que, por sua vez, ligará a avenida Paralela à orla.

O secretário de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, critica a ação e diz que a licença não será retida pela prefeitura, "por se tratar de obra importante para a população".

Para ele, a ação é "estruturante", pois vai desafogar o trânsito da Paralela. "Com a ligação Paralela-orla, uma pessoa poderá sair da avenida Magalhães Neto para a Orlando Gomes sem passar pela Paralela", ele explica.

Sob o argumento de "ilegalidade", a promotora de justiça Hortênsia Pinho, da área de habitação e urbanismo, pediu à Justiça a anulação das licenças ambientais concedidas pela extinta Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham) para a construção das pontes pelo próprio shopping, contrapartida aos impactos decorrentes da instalação do centro comercial.

Para ela, a licença, de dezembro passado, foi emitida sem estudos de impactos ambientais. O titular da Sedham à época, Paulo Damasceno, rebate que seguiu "todos os procedimentos legais".

O Shopping Paralela informa em nota que "vem cumprindo devidamente todas as exigências do TAC [termo de ajustamento de conduta], firmado em abril de 2013 entre o shopping, a atual prefeitura e o Ministério Público".

Ação - Segundo a ação, uma das ilegalidades é que o Paralela nunca contou com estudo de impacto de vizinhança (EIV), "embora no ano da inauguração, 2009, tenha se comprometido a fazer o estudo".

Hortênsia ressalta que o ex-secretário emitiu uma "licença ambiental ad referendum [para aprovação]", quanto à construção da ponte [que depois passaram a ser duas], ato que, segundo ela, "é ilegal". A licença foi aprovada em dezembro pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam).

A ilegalidade, ainda segundo a ação, decorre de o Tribunal de Justiça da Bahia ter suspendido diversos artigos da Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos), entre eles os que previam alterações quanto à competência e composição do Comam.

"O artigo 160 da lei, sobre o Comam, foi suspenso, o que invalida a aprovação da licença", relata. Hortênsia classifica a liberação das licenças como uma medida "unilateral" e "monocrática" de Damasceno: "Ele mesmo elaborou e concedeu a licença".

Damasceno rebate: "A licença ad referendum foi solicitada pelo próprio MP-BA. O Comam que aprovou a licença é o mesmo criado pelo PDDU de 2008, ou seja, aquele em vigor, uma vez que o PDDU de 2012 foi suspenso".

Danos à paisagem é o argumento contra tanque

A ação da promotora Hortênsia Pinho solicita também determinação judicial para retirada de um tanque de refrigeração de água localizado ao lado do shopping, e para que seja impedida a ampliação do estabelecimento, segundo ela, já autorizada pelo poder municipal.

De acordo com a promotora, o tanque causa danos ambientais visuais à paisagem urbana de Salvador.

“É um aparelho importante, pois tem função de economizar energia. Mas eles poderiam utilizar uma tecnologia diferente, menos agressiva à paisagem”, ela pontua.

A assessoria de comunicação do Shopping Paralela informa que a retirada do tanque do local está prevista no acordo assinado em abril passado e já está em andamento. O local para onde o tanque será removido, por outro lado, não foi informado.

Hortênsia Pinho afirma que o tanque será removido para um local próximo e que continuará “representando um prejuízo visual”.

O secretário José Carlos Aleluia nega que a prefeitura já tenha autorizado as obras de ampliação do shopping: “Não posso dizer se vou suspender ou não uma obra que nem chegou à prefeitura”.

Estudo - Segundo a promotora, a discussão sobre a construção das pontes traz à tona a importância de se realizar estudo de impacto de vizinhança (EIV) em todos os tipos de empreendimento, desde os menores às construções de grande porte.

“Temos o exemplo de cidades como Curitiba (PR), que pede EIV para tudo. Até uma banca de revista deve ter EIV, pois deve-se observar, por exemplo, se o local que ela vai se instalar não pode comprometer o trânsito”, justifica Hortênsia Pinho.

Na opinião da promotora, a licença deveria ser emitida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgão estadual.

Ela ressalta, no entanto, que a responsabilidade pela emissão da licença ambiental é complexa e cabia discussão. Para ela, pelo fato de o local em que estão sendo construídas as pontes se tratar de uma área de floresta e mata atlântica, a emissão da licença caberia ao órgão estadual. *A Tarde

Comentários

Outras Notícias

[Estudo da Fiocruz aponta presença silenciosa do parasita da doença de Chagas em Salvador]
Saúde

Estudo da Fiocruz aponta presença silenciosa do parasita da doença de Chagas em Salvador

19 de Junho de 2026

Foto: Reprodução / Fiocruz Bahia

[Mbappé brilha na estreia da França, supera Pelé e Messi e entra para a história das Copas]
Esportes

Mbappé brilha na estreia da França, supera Pelé e Messi e entra para a história das Copas

19 de Junho de 2026

Foto: Reprodução/BBC

[Técnico do Irã denuncia dificuldades enfrentadas pela seleção durante o Mundial: “Fomos os mais prejudicados”]
Esportes

Técnico do Irã denuncia dificuldades enfrentadas pela seleção durante o Mundial: “Fomos os mais prejudicados”

19 de Junho de 2026

Foto: Patrick T. Fallon / AFP

[Senado aprova projeto que torna Salvador sede simbólica do governo federal no 2 de Julho]
Bahia

Senado aprova projeto que torna Salvador sede simbólica do governo federal no 2 de Julho

19 de Junho de 2026

Foto: André Carvalho / Bahia Notícias

[Não nascemos para ser estatística: a voz dos trabalhadores e trabalhadoras da Bahia]
Artigos

Não nascemos para ser estatística: a voz dos trabalhadores e trabalhadoras da Bahia

18 de Junho de 2026

Luiz Carlos Suíca é pré-candidato a deputado federal em 2026. Graduado em História pela Universidade Católica da Bahia (UCSal), foi vereador de Salvador por três mandatos pelo Partido dos Trabalhadores (PT), no qual está filiado há 33 anos.

[Após atuação do MP-BA, São Desidério reduz valores de contratos para festejos juninos]
Bahia

Após atuação do MP-BA, São Desidério reduz valores de contratos para festejos juninos

18 de Junho de 2026

Foto: Divulgação