Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari diz que "Governo fala uma coisa e faz outra"
28 de Maio de 2015 - Diogenes Matos
O Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim Costa Filho, publicou na noite desta quarta-feira (27), carta aberta em que reclama do jogo político nacional, e declara que "o governo tem entrado em graves contradições ao defender posições que, antes de chegar ao poder, reprovava".
Alguns dos motivos da carta aberta é o projeto de lei da Terceirização, como também o Ajuste Fiscal promovido pelo governo, que segundo Júlio, é feito "às custa dos trabalhadores", com o corte de direitos trabalhistas e previdenciários através das medidas provisórias 664 e 665. Para o presidente do sindicato, o país parece passar por um "arrocho fiscal".
Júlio acusa o PT de "perda da identidade política", e pondera quando diz que o governo precisa enfrentar uma crise econômica que também tem penalizado o trabalhador. Sobre o setor metalúrgicos, Júlio constata que são milhares de demissões e perda de direitos importantes, e por isso, o Governo precisa fazer a sua parte.
Confira a carta na íntegra:
"O Brasil precisa superar um cenário político de extrema contradição por parte do governo federal. Esse é um debate que temos travado no movimento sindical e que toma cada vez mais corpo entre os trabalhadores no chão de fábrica. É o jogo político onde se fala uma coisa e se faz outra.
O governo tem entrado em graves contradições ao defender posições que, antes de chegar ao poder, reprovava. Exemplo disso é a questão do Fator Previdenciário, criação do governo de FHC. Quando estava na condição de oposição, o grupo político que atualmente ocupa o poder, era contra o Fator Previdenciário. Mas, depois mudou o discurso e passou a apoiar a manutenção do Fator. Esse mesmo Fator, que, segundo eles, massacrava o trabalhador. Não podemos admitir esse tipo de posição. Não se pode ter dois lados. Os trabalhadores elegeram esse projeto político para defendê-los, para avançar nas lutas sociais, e não permitir ainda mais exploração.
Outra grave questão é o Ajuste Fiscal promovido pelo governo, às custa dos trabalhadores. Mais parece um arrocho fiscal. É preciso que fique claro que o ajuste na verdade joga nas costas do trabalhador a recomposição do rombo nas contas públicas. O governo gastou mais do que poderia e o povo é que está pagando o pato. Aí, chegamos a outra contradição do governo. Por um lado, o governo faz discurso contra a terceirização e o PL 4330 (posição que apoiamos e é defendida pelo movimento sindical), mas por outro lado defende o corte de direitos trabalhistas e previdenciários através das medidas provisórias 664 e 665. Como pode ter duas posições tão distintas? É como se o governo tirasse uma faca do bucho do trabalhador e colocasse outra no lugar. Por sinal, o movimento sindical e os trabalhadores estão muito decepcionados com os nossos deputados federais eleitos pela Bahia, que sempre discursaram a favor dos trabalhadores, mas votaram a favor das MP's, que retiram direitos como o seguro desemprego, pensão por morte etc. Como os nossos camaradas puderam fazer isso?
Além da perda da identidade política, o governo precisa enfrentar uma crise econômica que também tem penalizado o trabalhador. Somente no setor metalúrgicos são milhares de demissões e perda de direitos importantes principalmente nas montadoras instaladas em São Paulo e também em outros estados do eixo Sul/Sudeste. Aqui na Bahia, e particularmente em Camaçari, temos feito todos os esforços para garantir a manutenção do emprego e o avanço das conquistas. É uma luta diária. Por isso, o governo precisa se mobilizar para ajudar a restabelecer os postos de trabalho. O movimento sindical faz a sua parte, o trabalhador faz a sua parte e o governo precisa começar a fazer a sua também".
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