Gilead rejeita proposta do governo para fornecimento de medicamento semestral de prevenção ao HIV
05 de Agosto de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Divulgação / SES-DF
A farmacêutica Gilead Sciences recusou a proposta apresentada pelo governo federal para o fornecimento do lenacapavir, medicamento injetável de aplicação semestral considerado uma das principais inovações recentes na prevenção ao HIV. Com a negativa, o Ministério da Saúde aguarda agora uma contraproposta da empresa para dar continuidade às negociações.
Durante reunião realizada na última quinta-feira (30), o governo ofereceu pagar até US$ 400 por tratamento, valor que, segundo a pasta, chega a ser até dez vezes superior ao praticado em países com perfil econômico semelhante, como Indonésia, Tailândia e África do Sul.
Além da redução no preço, as negociações também envolvem a possibilidade de transferência de tecnologia para produção do medicamento em território nacional, permitindo futuramente o abastecimento do Brasil e de outros países da América Latina.
O Ministério da Saúde pretende utilizar o lenacapavir tanto na profilaxia pré-exposição (PrEP) quanto no tratamento de pessoas que vivem com HIV.
Procurada, a Gilead confirmou a realização da reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mas não comentou os valores apresentados pelo governo brasileiro. Em nota, a empresa informou que segue comprometida em buscar soluções sustentáveis para ampliar o acesso ao medicamento no país.
A farmacêutica também destacou que assinou um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar possibilidades de transferência de tecnologia e produção regional do lenacapavir.
Enquanto as negociações continuam, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) segue analisando o pedido para definir o preço máximo de comercialização do medicamento no Brasil. A previsão é que o processo seja concluído até o fim de setembro.
O governo ressalta que a definição do preço pela CMED é diferente da negociação para incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS), já que a Câmara estabelece apenas o teto de comercialização, enquanto o Ministério busca negociar um valor viável para aquisição em larga escala.
A discussão acontece em um momento de expansão das estratégias de prevenção ao HIV no Brasil. Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou um acordo para aquisição do cabotegravir, primeira PrEP injetável de longa duração que deverá ser disponibilizada gratuitamente pelo SUS.
Além disso, a pasta também firmou parceria com a farmacêutica MSD para acompanhar o desenvolvimento do MK-8527, comprimido de uso mensal que ainda está em fase de estudos clínicos.
Especialistas consideram o lenacapavir uma das tecnologias mais promissoras no combate ao HIV por exigir apenas duas aplicações por ano, fator que pode aumentar significativamente a adesão ao tratamento preventivo entre pessoas que encontram dificuldades para manter o uso diário dos medicamentos atualmente disponíveis.
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