Rede de Supermercado é denunciada por caso de racismo com criança de 8 anos
07 de Dezembro de 2021 - Metro1
Funcionária da rede de supermercado Atacadão, unidade de Cajazeiras, em Salvador aborda criança de 8 anos ao vê-la com pacote de macarrão instantâneo nas mãos, perguntando se ele ia pagar pelo produto ou se iria roubá-lo
O caso de racismo aconteceu no dia 30 de novembro e denunciado pela mãe da criança, a garçonete Vitória Dimas, de 22 anos.
Após a situação, Vitória solicitou acesso às imagens da câmera de segurança do local, mas o gerente, identificado com o nome de Paulo Vinícius, não teria permitido. Um boletim de ocorrência foi registrado no mesmo dia.
“O gerente falou que só iria atender ao pedido dela mediante requisição policial. Aí ela procurou a guarnição da polícia que estava próxima e os policiais foram ao local para conversar com ele. O gerente negou e a PM, então, a levou para registrar o boletim de ocorrência na delegacia”, disse o advogado Ivonei Ramos.
O advogado foi procurado por Vitória na última sexta-feira (3), em busca de orientações jurídicas. Ele informou que a mãe da vítima pretende ingressar com uma ação indenizatória por danos morais e pelo crime de calúnia. “É uma situação muito séria”, classificou Ramos.
Vitória Dimas conta que tinha ido ao mercado justamente para comprar lanches para o filho. Mas saiu de lá sem nada. Foi o próprio menino que, incomodado com a situação, pediu à mãe para sair o mais rápido possível do estabelecimento.
OUTRO LADO
Segundo o portal Metro1, o Grupo Carrefour, empresa que administra o Atacadão, disse que "tomou conhecimento do caso" e iniciou "rigorosa apuração interna e está buscando contato com a cliente para qualquer tipo de suporte". A rede disse ainda que "reitera o seu compromisso com políticas sérias de diversidade e repudia veementemente qualquer tipo de discriminação".
O Grupo Carrefour esteve envolvido em um caso grave de racismo às vésperas do dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, em 2020. Foi em uma loja da rede, no Rio Grande do Sul, que João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças da loja.
Nota de repúdio
Vereadores de Salvador emitiram notas de repúdio, na última segunda-feira (6), contra o caso de racismo. Os parlamentares que fazem parte da Comissão de Reparação e da Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia Makota Valdina apontaram o que trata-se de reincidência de ocorrências de discriminação na rede Carrefour. “O caso deve ser tratado com rigor e cobrado do setor privado responsabilidade social”, diz a nota.
Foto: Reprodução
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