Mães de pessoas com deficiência relatam suspensão do BPC e denunciam falta de esclarecimentos em Salvador
06 de Janeiro de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Mães de pessoas com deficiência em Salvador denunciam a interrupção do Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio social pago pelo Governo Federal, mesmo após a apresentação de laudos médicos que comprovam as condições dos beneficiários. As suspensões teriam ocorrido no mês de novembro, após anos de recebimento regular do benefício.
Uma das responsáveis é Tatiana da Silva Souza, mãe de Kaique, adolescente diagnosticado com autismo nível 2. Em relato ao Bahia Notícias, ela afirma que o BPC é sua única fonte de renda fixa há três anos, desde a morte do companheiro e pai do jovem. Moradora do bairro de Paripe, Tatiana explica que depende do valor para despesas básicas, como aluguel e alimentação.
Segundo ela, Kaique recebe o benefício desde os três anos de idade, mas teve o pagamento cessado após uma nova avaliação médica e social solicitada pelo INSS. Apesar de ter comparecido à perícia e apresentado toda a documentação exigida, a mãe afirma que foi surpreendida com a suspensão do auxílio ao consultar o resultado.
Tatiana relata que tentou obter esclarecimentos junto ao INSS, mas não recebeu uma justificativa objetiva para a decisão, mesmo se enquadrando nos critérios de baixa renda e impossibilidade de exercer atividade profissional devido às necessidades do filho, que realiza acompanhamento contínuo com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo.
Diante da situação, ela ingressou com um novo pedido administrativo, reunindo relatórios médicos, documentos escolares e laudos dos profissionais que acompanham o adolescente. No entanto, segue aguardando resposta.
Outro caso citado envolve uma mãe que preferiu não se identificar e teve o benefício suspenso com previsão de reavaliação apenas em fevereiro de 2026, o que deve deixar a família sem renda garantida no início do ano.
Procurado, o INSS informou que os benefícios passam por revisões periódicas para comprovar a permanência da deficiência e da situação de vulnerabilidade social. Em nota, o órgão afirmou que, nos casos apresentados, houve decisão pela não continuidade após avaliação médica e social, e orientou que os responsáveis podem recorrer no prazo de até 30 dias junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social.
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