Metade dos médicos relata pressão para ministrar hidroxicloroquina
26 de Julho de 2020 - Redação Pernambués agora
O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns, chegou a ser ameaçado de morte nas redes sociais e foi alvo de notícias falsas depois que a instituição publicou uma recomendação contra a cloroquina para a covid-19, no dia 17
Uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina aponta que 48,9% de quase 2 mil profissionais entrevistados em todo o País relataram pressões de pacientes ou parentes para prescrever remédios sem eficácia comprovada no combate à Covid-19, como cloroquina e hidroxicloroquina. A informação é do Estadão.
O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns, chegou a ser ameaçado de morte nas redes sociais e foi alvo de notícias falsas depois que a instituição publicou uma recomendação contra a cloroquina para a covid-19, no dia 17. “Notícias falsas e informações sensacionalistas ou sem comprovação técnica são inimigos que os médicos enfrentam simultaneamente à covid-19”, diz o estudo da Associação.
Há um mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu testes com cloroquina e hidroxicloroquina porque todos os resultados até então apontavam que elas “não reduziam a mortalidade dos pacientes”. Estudos feitos por pesquisadores do Reino Unido e do Brasil já confirmaram que “não há efeito benéfico” no uso da hidroxicloroquina. A pesquisa mais recente foi publicada nesta semana. Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro, defensor do medicamento, informou ter covid-19 e foi às redes sociais anunciar que tomava cloroquina, exibindo embalagens do remédio.
A politização do debate levou à queda de dois ministros da Saúde (os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, contrários ao uso do remédio) e tem consequências diretas no atendimento de pacientes.
“Pelo menos 69,2% (dos entrevistados) dizem que (notícias falsas ou sensacionalistas) interferem negativamente, pois levam algumas pessoas a minimizar (ou negar) o problema e, assim, a não observar as recomendações de isolamento social e higiene, ou a não procurar os serviços de saúde”, destaca o estudo sa APM. “Outros 48,9% falam que, em virtude das fake news, pacientes/familiares pressionam por tratamentos sem comprovação científica”, diz o estudo.
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