Esportes

Felipão diz que viagens pelo Brasil são um 'inferno'

18 de Junho de 2013 - Piatã

"Em 2002 era fácil porque era fora do Brasil. Aqui é um inferno", disse.

Felipão chamou de "inferno" a peregrinação da seleção pelo Brasil nesta Copa das Confederações. Referia-se ao assédio do torcedor a todo instante, aos pedidos que chegam à comissão técnica e aos mandos e desmandos do COL (Comitê Organizador Local) e da Fifa. Também reclamou que seu time não tem um lugar fixo para treinar, uma casa, e que isso provoca desgastes e dificuldades.

"Em 2002 era fácil porque era fora do Brasil. Aqui é um inferno. O grande problema do Brasil na Copa é ter a competição no país. Era muito mais fácil jogar lá fora", disse o treinador no programa "Bem, Amigos!", da TV Globo.

Ao lado de Parreira, Felipão também condenou as condições oferecidas ao grupo, como os ônibus com vidros escuros, impedindo um contato melhor com o torcedor. "Não fomos nós que pedimos um ônibus com vidros escuros, em que o torcedor não consegue sequer dar um 'tchau' para os jogadores.

Essa condição nos foi imposta", disse Parreira, que na segunda-feira ressaltou à reportagem a importância de o elenco se aproximar da torcida como aconteceu no Estádio Presidente Vargas, com quase 5 mil torcedores em Fortaleza.

Felipão foi o primeiro a pedir que o povo brasileiro abraçasse a seleção. Ele pretende "mudar" algumas regras do COL e da Fifa para estreitar esse relacionamento de agora em diante. Muito provavelmente seus treinos deverão ser abertos - não todos -, mas pelos menos um deles, e com a participação maior do público nos locais. No Presidente Vargas, a torcida demorou a entrar e pôde ver os jogadores não mais que 30 minutos.

A comissão técnica espera com ansiedade pelas reformas da Granja Comary, no Rio, onde pretende se fechar com o elenco para a Copa do Mundo. "Precisamos ter uma casa para treinar e assim conseguir trabalhar melhor. Aí, não tem melindres."

O técnico tratou de deixar bastante claro que não é ele o grande vilão dessa história em relação à parceria do torcedor nos treinos da seleção. "O público pensa que são os membros da seleção que fecham o treino. Não é verdade. Somos muitas vezes obrigados a fechar. A Fifa exige, o COL exige. Gosto de liberar nas vésperas de jogos para todos, porque acho absurdo assistir só à roda de bobinhos dos 15 minutos inicias. Às vezes tem campeões do mundo assistindo ao treino e eles vão embora aos 15 minutos?".

Ele disse que já fez um pedido para a Fifa a fim de liberar mais treinos em 2014. Ele gostaria até de deixar nas mãos dos torcedores a decisão de ver os trabalhos da seleção no começo ou no fim dos treinos. "Nós preferimos no final, para o torcedor ver o trabalho que está sendo feito", disse Parreira.

Felipão só teme que esse assédio acabe em confusão. Contou que neste treino de segunda, Lucas pediu a ele para atirar sua camisa aos torcedores, mas o pedido foi negado por ele. "Eu disse não, porque se ele vai lá, atira a camisa e dá uma confusão, alguém cai e se machuca, ainda seremos responsabilizados por isso. Não podemos assumir esse compromisso." *Estadão.

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