Ex-funcionária afirma que pagamento de propina era prática na Odebrecht
28 de Março de 2016 - Andréa de Lima NunesConceição Andrade trabalhou como secretária do departamento financeiro da construtora por 11 anos.
Ex-funcionária do departamento financeiro da Odebrecht, Conceição Andrade, afirmou em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, que o pagamento de propinas era uma prática antiga na empreiteira. Conceição, que trabalhou por 11 anos na empresa, disse ter uma lista, referente ao ano de 1988, com mais de 500 nomes, entre eles os de ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos, senadores e deputados, relacionados a obras em que supostamente houve pagamento de propina.
"O que eu pensei foi o seguinte: agora eles aperfeiçoaram o sistema. Antigamente, já existia de uma maneira e agora eles aperfeiçoaram. Eles funcionavam com esquema de caixa dois paralelo ao esquema, à contabilidade da própria empresa. Não tinha um departamento separado como hoje", disse ao programa.
Na oportunidade, Conceição diz que foi demitida por contenção de despesas e entrou na justiça contra a Odebrecht, cobrando direitos trabalhistas. Ela perdeu o caso.
Fantástico: Por que a senhora levou tanto tempo para passar para frente esses documentos?
Conceição Andrade: Eu fiquei com medo de retaliações, de agressões. Inclusive, consultei algumas pessoas e as pessoas me aconselharam a não mostrar, porque seria uma pequena contra todo um sistema.
Fantástico: Por que depois de tanto tempo a senhora resolveu tornar públicos esses documentos?
Conceição Andrade: Resolvi tornar público pela situação que o país está passando e eu vi que era uma oportunidade de contribuir para poder passar esse país a limpo.
Ainda durante a entrevista, a mulher é questionada se os pagamentos poderiam ser doações legais, ela responde que acredita que não.
Fantástico: Todos esses pagamentos eram caixa dois? Não há a possibilidade de que alguns desses pagamentos fossem doações legais de campanha?
Conceição Andrade: Acredito que não. Naquela relação, todos eram caixa dois.
Fantástico: Como a senhora se sentia movimentando todo aquele dinheiro sabendo que era propina?
Conceição Andrade: Constrangida.
A PF afirmou que, se for comprovada sua autenticidade, os documentos serão incorporados ao banco de dados da Operação Lava-Jato, que apura um esquema de corrupção bilionário na Petrobras, mas que provavelmente ninguém poderá ser processado, porque esses crimes, que teriam ocorrido na década de 1980, já estariam prescritos.
Segundo o “Fantástico”, em setembro de 2015, Conceição entregou o documento ao deputado federal Jorge Solla (PT-BA), que o repassou à CPI da Petrobras. O parlamentar entregou os papéis ao Ministério da Justiça, que posteriormente os encaminhou à Polícia Federal. Por fim, a PF enviou as supostas provas de propina à Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, no Paraná, porque seriam de interesse da Lava-Jato.
Esta semana, a força-tarefa da Lava-Jato apreendeu outras listas de doações feitas pelo Grupo Odebrecht com pelo menos 284 políticos.
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