Sob pressão, cúpula do PRB se nega a discutir voto de Tia Eron
09 de Junho de 2016 - Andréa de Lima NunesCandidatos a prefeito do Rio e São Paulo estão preocupados com impacto.

A deputada Tia Eron (PRB-BA) (Foto: Ailton de Freitas).
A polêmica continua acerca do voto da deputada Tia Eron (PRB-BA), que tem o objetivo de impedir a aprovação do relatório que pede a cassação do mandato do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), no Conselho de Ética.
Dirigentes da cúpula do PRB e o líder da bancada do partido na Câmara estão a prefeito do Rio, e do deputado Celso Russomano (SP), para que marquem uma reunião de emergência para debater o possível voto da deputada. No plenário da Casa, deputados se revezam para dizer que se o voto de Tia Eron salvar Cunha, terá que ser explicado na campanha de Crivela e Russomano.
O líder Márcio Marinho (PRB-BA), conterrâneo da deputada, comentou que teriam lhe passado uma mensagem sobre o pedido de Russomano para que uma reunião fosse marcada para discutir o voto de Eron, mas para Marinho, o voto é uma questão pessoal. Diante da negativa da cúpula e da liderança do PRB em se reunir para ter uma posição em relação a cassação de Cunha, Russomano vai tentar conversar separadamente com Tia Eron esta noite. Ele vai tentar convencê-la de que os fatos apresentados contra Cunha são muito fortes.
Como ontem, quando se escondeu na liderança do PRB durante a sessão do Conselho de Ética, hoje, para fugir do assédio, Tia Eron sequer apareceu na Câmara dos Deputados. Passou o dia trancada em casa, com jornalistas e cinegrafistas na porta à espera de uma declaração sobre o voto que pode absolver ou condenar Eduardo Cunha no processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética.
Na noite de terça-feira, para ganhar tempo, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (BA) cancelou a reunião prevista para esta quarta-feira que vai decidir a cassação de Cunha. A decisão foi tomada depois que deputados opositores do presidente afastado chegaram a conclusão de que o voto de Tia Eron daria um resultado de 11 a 9 contra a cassação e pela aprovação de uma pena branda de afastamento de 90 dias.
Os opositores de Cunha esperam que o adiamento para quinta ou a próxima terça-feira dê tempo para uma reação da opinião pública contra a provável disposição do PRB e da deputada em salvar Cunha. Alguns deputados apostam até mesmo na prisão de Cunha, em uma eventual determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), antes da votação no Conselho e provável derrota.
De acordo com os interlocutores de Russomano e Crivela, os dois estão preocupadíssimos com o impacto negativo do voto pró-Cunha em suas campanhas.
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