Camaçari: Contratado pelo município, Luiz Caldas contraria deputada em show de inauguração
19 de Dezembro de 2011 - PiatãMesmo sendo defensora árdua de projeto de lei que condena a depreciação da mulher e o racismo em letras de música, Luiza Maia é contrariada por sobrinho e pelo cantor Luiz Caldas

O Projeto de Lei 19.203/11 foi pauta no Jornal da Sucesso desta segunda-feira (19), durante a entrevista da deputada estadual Luiza Maia, defensora do projeto. Só para refrescar a mente dos leitores, o documento que tramita na Assembléia Legislativa da Bahia prevê a proibição do poder público em contratar grupos musicais que depreciem o sexo feminino e tragam mensagens racistas em seu conteúdo.
O projeto que precisa passar por quatro comissões antes de ir a votação está ainda aguardando a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para, então, ser encaminhado para as comissões seguintes.
De acordo com a deputada, a votação só deve acontecer em março do ano que vem. A escolha do mês tem sua importância por ser comemorado o Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março. “Até lá nós vamos nos organizar para fazer uma grande mobilização na Marcha das Mulheres, que fazemos todo ano em Camaçari”, disse.
Luiza está confiante na aprovação do projeto e acredita que o apoio do governador Jaques Wagner é mais um empurrãozinho para que a esperança se concretize. “Depois que o governador citou o projeto nos dando apoio, acho que vai ficar mais fácil que a bancada aprove o projeto”, ressaltou.
Só pra contrariar
Apesar de a autora do projeto anti-baixaria ser de Camaçari, o cantor e compositor Luiz Caldas, contratado pelo município para tocar no evento que inaugurou a Praça das Amendoeiras, em Arembepe, no último sábado (17), tocou a polêmica música “Nega do Cabelo Duro”, hit de sucesso, que segundo Luiza, é uma letra de cunho racista. “Nós conversamos com a coordenação do evento e pedimos que não deixassem tocar essa música e qualquer outra que seguisse a mesma linha. Foi um erro da coordenação”, justificou.
O apresentador Roque Santos brincou com a deputada quando ouviu a música e levou um verdadeiro puxão de orelha. “Essa música desrespeita completamente a mulher negra e não deveria ser tocada nem aqui nem em outro lugar. Você é negro e sabe como é chato ser tratado dessa forma em uma letra como essa”, disparou.
No mês passado, o coordenador de eventos e sobrinho da deputada, Tiago Caetano, contrariou a tia e contratou a banda Black Style para fazer show na cidade. A deputada criticou a atitude do sobrinho, mas a banda tocou e lotou o espaço Karrapyxo.
Por Henrique da Mata
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