Estudo aponta que tratamento intensivo hospitalar supera canetas emagrecedoras na perda de peso e preservação muscular
12 de Janeiro de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Caroline Morais / Ministério da Saúde
Um estudo realizado na Bahia revelou que o tratamento intensivo hospitalar para obesidade grave apresenta resultados superiores aos das chamadas canetas emagrecedoras, tanto na redução de peso quanto na preservação da massa muscular. A pesquisa, conduzida com pacientes do Hospital da Obesidade e publicada na revista científica PLOS ONE, analisou dados ao longo de até seis meses de internação.
Segundo o levantamento, pacientes submetidos a mudanças intensivas de hábitos, dieta de baixa caloria e acompanhamento multidisciplinar alcançaram uma perda de peso entre 20% e 22% em 24 semanas. O índice supera os resultados da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, que registrou cerca de 15% de redução em 68 semanas.
O tratamento hospitalar também apresentou desempenho semelhante ou superior ao da tirzepatida (Mounjaro), que chegou a 21% de perda em 72 semanas. Além disso, a perda de massa magra foi significativamente menor entre os pacientes internados — até 13 vezes inferior quando comparada ao uso exclusivo das medicações.
Os dados indicaram ainda uma redução média de 36% no percentual de gordura em pacientes com obesidade grau II e III. Já a perda de massa muscular representou apenas 12% do peso eliminado durante a internação, contra 33% com a semaglutida e 25% com a tirzepatida.
Em entrevista, o endocrinologista Cristiano Gidi, coordenador médico do Hospital da Obesidade, explicou que o diferencial está na abordagem transdisciplinar, que integra nutrição adequada, exercícios físicos personalizados, fisioterapia e reabilitação.
“Quando o emagrecimento não é bem conduzido, o corpo perde músculo e gordura na mesma proporção. No tratamento intensivo, conseguimos preservar a massa muscular e direcionar a perda quase exclusivamente para a gordura”, afirmou.
O estudo também apontou melhorias significativas em indicadores metabólicos, como glicose, colesterol e marcadores inflamatórios. Homens e pacientes mais jovens apresentaram respostas mais rápidas, mas o modelo mostrou eficácia em diferentes idades e perfis.
A pesquisa analisou prontuários de pacientes hospitalizados entre 2016 e 2022, com uma amostra final de 856 pessoas com obesidade grave.
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