Estudo brasileiro aponta proteção coletiva da vacina contra o HPV
28 de Julho de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Bruno Concha / PMS
Uma pesquisa brasileira identificou que uma única dose da vacina contra o HPV oferece proteção semelhante aos esquemas de duas ou três aplicações. O estudo também mostrou que a imunização de parte da população pode diminuir a circulação do vírus até mesmo entre mulheres que nunca receberam a vacina.
Considerado o maior levantamento sobre o impacto populacional do imunizante já realizado na América Latina, o trabalho foi conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde.
A pesquisa comparou dados de mais de 16 mil brasileiros com idades entre 16 e 25 anos, coletados em dois períodos: entre 2016 e 2017 e entre 2020 e 2023. O estudo, chamado POP-Brasil, será publicado na revista científica npj Vaccines, pertencente ao grupo Nature.
Entre as mulheres vacinadas, a presença dos tipos de HPV contemplados pelo imunizante apresentou uma redução de 81%, passando de 15,6% para 3,1%.
Mesmo entre as mulheres que nunca foram imunizadas, houve uma queda de 33% na circulação desses tipos do vírus. O resultado é atribuído à proteção coletiva, que acontece quando a ampla cobertura vacinal reduz a quantidade de vírus circulando na população.
Segundo os pesquisadores, esse efeito foi identificado apenas entre as mulheres. Entre os homens, cuja cobertura vacinal ainda é consideravelmente menor no Brasil, a redução indireta não foi observada.
O estudo também confirmou que a dose única apresenta efetividade semelhante aos esquemas de duas ou três doses. O resultado reforça a decisão do Ministério da Saúde de adotar o esquema de aplicação única no país em 2024.
A exceção permanece para pessoas com HIV, imunossuprimidos e pacientes que já tiveram lesões de alto grau ou câncer de colo do útero, que continuam recebendo três doses.
Os pesquisadores destacam ainda que a vacina deve ser aplicada preferencialmente antes do início da vida sexual, já que sua eficácia é maior nas faixas etárias mais jovens.
Apesar de a cobertura nacional chegar a 86%, ainda existem diferenças significativas entre os estados e também entre meninos e meninas. Entre as mulheres participantes do estudo, a imunização alcançou 61,8%, enquanto entre os homens ficou em 31,1%.
Os especialistas reforçam que o HPV também pode causar diferentes tipos de câncer nos homens, incluindo tumores de cabeça, pescoço e orofaringe. Por isso, ampliar a cobertura entre o público masculino é considerado fundamental.
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