Uso de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai divide opiniões entre médicos
05 de Agosto de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Reprodução / Freepik
O aumento do uso de canetas emagrecedoras adquiridas no Paraguai tem provocado debates entre profissionais da saúde sobre qual deve ser a postura diante de pacientes que utilizam medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto alguns médicos optam por interromper o acompanhamento, outros defendem a continuidade do atendimento como estratégia para reduzir riscos.
A discussão ganhou força após o relato da advogada Andreza Botan, de 47 anos, que afirmou ter sido surpreendida durante uma consulta ao informar que utilizava uma versão paraguaia da tirzepatida. Segundo ela, o endocrinologista disse que não acompanhava pacientes que faziam uso desse tipo de produto e chegou a comentar, em tom de reprovação, que cogitou chamar a polícia.
O caso evidencia um dilema cada vez mais presente nos consultórios: o profissional deve continuar acompanhando um paciente que escolheu utilizar um medicamento sem autorização da Anvisa ou pode recusar esse atendimento?
Entidades médicas afirmam que ambas as condutas são permitidas do ponto de vista ético, desde que sejam adotadas de forma responsável.
Para parte dos especialistas, acompanhar um paciente que utiliza medicamentos sem registro sanitário pode transmitir a impressão de que o tratamento possui respaldo médico, além de expor o profissional a possíveis responsabilidades caso ocorram complicações.
Outro ponto levantado é a falta de garantias sobre a procedência do produto. Como esses medicamentos entram no país de forma irregular, não há como assegurar a composição, a concentração do princípio ativo, o armazenamento ou as condições de transporte.
Por outro lado, há endocrinologistas que defendem a manutenção do acompanhamento médico mesmo quando o paciente decide continuar utilizando a caneta adquirida no Paraguai. Segundo eles, abandonar o paciente pode aumentar ainda mais os riscos à saúde.
Esses profissionais explicam que o objetivo não é validar o uso do medicamento irregular, mas orientar sobre os riscos, monitorar possíveis efeitos adversos e apresentar alternativas aprovadas pela Anvisa.
Entre essas opções estão medicamentos à base de semaglutida comercializados regularmente no Brasil, que passaram a contar com novas versões após o fim da exclusividade da patente. Além disso, a Anvisa aprovou recentemente outras canetas que deverão chegar ao mercado após a definição dos preços.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que cabe ao médico avaliar cada caso individualmente. Caso decida interromper o acompanhamento, o profissional deve agir de forma ética, garantindo a continuidade da assistência e orientando o paciente sobre os riscos envolvidos.
Já o Cremesp esclarece que, quando o médico opta por continuar acompanhando o paciente, isso não significa que esteja incentivando ou validando o uso do medicamento irregular. A recomendação é registrar todas as orientações no prontuário e não participar da prescrição do produto sem registro.
Especialistas em direito médico também alertam que eventuais responsabilizações dependerão das circunstâncias de cada caso, principalmente se houver participação direta do profissional na indicação ou prescrição do medicamento.
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