Política

Dilma diz não ter "ódio" de Temer

13 de Outubro de 2016 - Diogenes Matos

"Eu não tive ódio de torturador, por que eu vou ter ódio de traidor".

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse que não tem "ódio" do seu sucessor, o presidente Michel Temer (PMDB), mas o chamou de "traidor" nesta quinta-feira (13). "Eu não tive ódio de torturador, por que eu vou ter ódio de traidor nesse processo [de impeachment]?", disse Dilma em entrevista à Rádio Guaíba, emissora da capital gaúcha, nesta tarde. A petista fez referência ao seu passado político, quando foi presa e torturada durante o regime militar, e disse que o sentimento que a traição provoca é de "injustiça". "Não se pode ter ódio das pessoas. O ódio faz com que você seja capturado pelo objeto que você odeia", afirmou. A ex-presidente disse ainda ser "vítima" do impeachment que, para ela, tinha dois objetivos: evitar que "a Lava Jato chegue até eles" e "aprovar essa PEC da Maldade", a "reforma da Previdência" que é "ultra contra os interesses dos trabalhadores". Temer está prestes a viajar à Índia para reunião do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Será a quarta viagem internacional do presidente desde 31 de agosto, quando assumiu o posto de forma efetiva. Na ausência de Temer, o presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumirá a presidência temporariamente. Se não tivesse sido cassado, Eduardo Cunha (PMDB), que autorizou a abertura do processo de impeachment contra Dilma, seria o presidente interino. Sobre Cunha, Dilma afirmou que a Câmara era "homogeneizada" por ele e que, se não aceitasse suas propostas, "não tinha gestão". VIDA PÓS-IMPEACHMENT Questionada sobre sua rotina fora da presidência, Dilma respondeu que tem navegado pela internet, se comunicado por meio do WhatsApp e usado redes sociais. "Tenho tido uma vida intensa nessa área", disse. Dilma afirmou ainda que agora sua vida é "bem mais leve do que era antes" e que pode ler mais, ver mais filmes e ter mais convívio com os netos. MALDADES A ex-presidente também chamou a PEC 241, proposta de emenda constitucional que congela os gastos públicos por 20 anos, de "PEC das Maldades". A proposta de teto para os gastos do governo foi aprovada com o empenho pessoal de Temer depois de um jantar realizado na véspera da votação. Dilma também defendeu o ex-presidente Lula (PT) durante a entrevista. Caso Lula seja preso, Dilma afirma que "a prisão será vista como corolário do golpe pelo mundo". A ex-presidente disse ainda que "acha que há um objetivo claro de condená-lo na segunda instância". Lula foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) como envolvido no desvio de verbas públicas para a empreiteira Odebrecht. VOTO JUSTIFICADO Dilma, que votou no candidato do PT, Raul Pont, à Prefeitura de Porto Alegre no primeiro turno, disse à Guaíba que "não estará" na cidade e irá justificar o voto no segundo turno. O voto de Dilma no primeiro turno foi marcado por uma confusão após um juiz proibir o acompanhamento da imprensa. A ordem foi dada pelo juiz Niwton Carpes da Silva, da 160ª zona eleitoral de Porto Alegre. A justificativa do juiz para proibir a presença da imprensa na sua seção eleitoral, no colégio Santos Dumont, na zona sul da capital gaúcha, foi a de que Dilma não possui esse direito por não ser candidata nestas eleições e ser uma "cidadã comum". O juiz já havia chamado Dilma de "incompetente e desesperada". O magistrado fez as declarações sobre a ex-presidente no seu perfil pessoal do Twitter, criado em março. Em 20 de abril, o juiz escreveu que "ela [Dilma] é tão incompetente e desesperada que não tem condições de autocrítica. O esquerdismo radical perdeu o trem da história". size_810_16_9_dilma-rousseff-em-dezembro-de-2015 *Folha Press

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