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Não nascemos para ser estatística: a voz dos trabalhadores e trabalhadoras da Bahia

18 de Junho de 2026 - Redação Pernambués agora
[Não nascemos para ser estatística: a voz dos trabalhadores e trabalhadoras da Bahia]

Luiz Carlos Suíca é pré-candidato a deputado federal em 2026. Graduado em História pela Universidade Católica da Bahia (UCSal), foi vereador de Salvador por três mandatos pelo Partido dos Trabalhadores (PT), no qual está filiado há 33 anos.

Eu venho da periferia.
Sou filho de uma baiana de acarajé, uma mulher negra e trabalhadora que enfrentou as dificuldades da vida com dignidade, coragem e muito sacrifício. Cresci conhecendo de perto a realidade de quem acorda cedo para trabalhar e, muitas vezes, volta para casa sem o reconhecimento que merece.
Não sou herdeiro.
Não recebi patrimônio, empresas ou privilégios.
A herança que recebi dos meus ancestrais foi outra: a força para resistir, a coragem para enfrentar as adversidades e a capacidade de nunca desistir diante das injustiças.
Foi essa herança que me manteve de pé.
Sou um homem negro que nasceu em uma sociedade onde muitos acreditavam que jovens negros da periferia não chegariam muito longe. Durante décadas, a exclusão social, a violência e a falta de oportunidades transformaram milhares de jovens em estatísticas.
A elite econômica deste país sempre conviveu com naturalidade com a ideia de que parte da juventude negra seria descartada pelo sistema.
Mas nós resistimos.
Resistimos por meio da luta.
Resistimos por meio da organização coletiva.
Resistimos por meio dos movimentos sociais, dos sindicatos, das associações comunitárias e da consciência de que ninguém vence sozinho.
Foi essa caminhada que me trouxe até aqui.
Ao longo da minha trajetória, tive a honra de exercer três mandatos como vereador de Salvador. Também ocupei suplências no parlamento estadual e federal. Em cada espaço que ocupei, procurei levar comigo a voz daqueles que quase nunca são ouvidos.
E é justamente essa ausência de representação que me motiva a construir este novo desafio.
Hoje, quando observamos o Congresso Nacional, percebemos que os grandes grupos econômicos possuem representação permanente. Empresários, bancos e setores poderosos da economia contam com defensores em todos os espaços de decisão.
Mas quem fala pelos trabalhadores terceirizados?
Quem fala pelos trabalhadores da limpeza urbana?
Quem fala pelos vigilantes, maqueiros, auxiliares de cozinha, merendeiras e auxiliares de serviços gerais?
Quem enfrenta os interesses daqueles que lucram enquanto milhares de trabalhadores convivem com baixos salários, insegurança profissional e condições de trabalho, muitas vezes, inadequadas?
Essa é uma pergunta que precisa ser feita.
Porque são esses trabalhadores e trabalhadoras que mantêm hospitais funcionando, escolas abertas, repartições organizadas e cidades limpas. São eles que garantem a prestação de serviços essenciais para toda a sociedade.
Apesar disso, continuam invisíveis para grande parte da política.
Muitos desses profissionais são negros e negras, moradores das periferias urbanas, chefes de família e responsáveis pelo sustento de suas casas. São homens e mulheres que enfrentam, diariamente, o preconceito, a desigualdade e a falta de oportunidades.
Por isso, defender os trabalhadores também significa defender a juventude negra.
Significa lutar contra o extermínio que atinge nossas comunidades.
Significa defender políticas públicas que gerem emprego, renda, educação e esperança.
Significa defender as mulheres trabalhadoras, que enfrentam jornadas exaustivas, desigualdade salarial e inúmeras formas de violência.
Minha pré-candidatura nasce dessa compreensão.
Não se trata de um projeto individual.
Trata-se da construção de uma voz coletiva para aqueles que historicamente foram silenciados.
Uma voz que nasce nas periferias.
Uma voz que conhece a realidade dos trabalhadores porque veio do mesmo lugar.
Uma voz que não deve favores às elites econômicas.
Uma voz comprometida com a dignidade do trabalho, a justiça social e a igualdade de oportunidades.
A política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.
E é exatamente por isso que sigo acreditando que os trabalhadores e trabalhadoras da Bahia precisam ocupar os espaços de poder com suas próprias vozes, suas próprias histórias e suas próprias lutas.
Eu não nasci para ser estatística.
E acredito que nenhum jovem negro da periferia nasceu para ser estatística.
Nascemos para viver com dignidade.
Nascemos para sonhar.
Nascemos para transformar a realidade.
E é essa transformação que continuará guiando nossa caminhada.

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