Vovô do Ilê: "Não acreditavam que um bloco só de negros não tivesse marginais"
31 de Outubro de 2024 - Redação Pernambués agora
Presidente e fundador do bloco falou sobre trajetória de resistência do Ilê - Foto: Uendel Galter | Ag A TARDE
Em novembro, mês consagrado à Consciência Negra, Salvador se prepara para celebrar o cinquentenário do Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil. Fundado em 1º de novembro de 1974, o Ilê transcendeu as barreiras do Carnaval e se tornou um símbolo de luta pela igualdade racial, promovendo a valorização da identidade e cultura afro-brasileira.
Vovô do Ilê, presidente e fundador do bloco, compartilhou no programa Isso é Bahia, da Rádio A TARDE FM (103,9 FM), essa trajetória de resistência.
Nesta sexta-feira, 1º, o Ilê Aiyê celebra seu marco de 50 anos na Concha Acústica do TCA, em Salvador. Este espetáculo cênico musical promete reviver a trajetória e as conquistas do bloco, reunindo convidados especiais para homenagear a beleza e a força desse símbolo de resistência.
Ao completar meio século, o bloco afro segue como referência da cultura afro-brasileira, inspirando as novas gerações a se orgulharem de suas raízes e a lutarem pela igualdade.
A jornada do Ilê começou sem grandes expectativas de alcançar longevidade, mas com um objetivo claro: levantar a autoestima do povo negro.
No início, nem pensávamos em chegar a 50 anos. Mas ao longo do tempo, com o apoio do povo negro e também de pessoas brancas que começaram a perceber nossa causa, o bloco foi crescendo", reflete Vovô. Nos desfiles, o Ilê levou ao público músicas que exaltavam a beleza e a força do negro, desafiando estigmas racistas e buscando inspirar uma visão positiva e empoderadora.
Ao longo dos anos, o bloco enfrentou obstáculos, como a desconfiança da Secretaria de Segurança Pública, que exigia fichas de inscrição detalhadas para monitorar a presença dos integrantes. "Não acreditavam que um bloco só de negros não tivesse marginais. Isso era racismo institucional", revela Vovô. Além da vigilância, o Ilê também enfrentava o estigma social e cultural imposto ao povo negro. Contudo, a luta contra a censura e o preconceito reforçou a determinação do bloco em seguir adiante.
Nos anos 80, o Ilê Aiyê expandiu seu compromisso com a comunidade ao criar a Escola Mãe Hilda, uma iniciativa educacional que oferece ensino gratuito para crianças do bairro da Liberdade. Com essa ação, o bloco não só fortaleceu suas raízes no bairro como ampliou seu impacto social. “Hoje, o Ilê não é apenas um bloco carnavalesco. É uma instituição educacional e cultural que se mantém firme na missão de promover a valorização da nossa identidade e cultura”, declara Vovô.
Show comemorativo
Com ingressos esgotados, o show de celebração aos 50 anos de fundação do Ilê Aiyê, que acontece às 18h30, estará cheia de pérolas negras e de todas as cores reverenciando o cinquentenário do primeiro bloco afro do Brasil
Com direção do fera e perfeccionista Elísio Lopes Jr., essa semana tem sido de ensaios intensos da Orquestra Afrosinfônica, Band'Aiyê e os convidados: Daniela Mercury, BaianaSystem, Beto Jamaica, Matilde Charles, Amanda Maria, Aloísio Menezes e Carlinhos Brown.
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