Povos indígenas protestam e fecham Av. Paralela contra marco temporal
07 de Novembro de 2024 - Redação Pernambués agora
Protesto contra marco temporal afetou trânsito de Salvador - Foto: Bianca Carneiro
Quase 2 mil pessoas indígenas de 32 etnias saíram em caminhada para protestar contra o marco temporal pela Avenida Paralela, em Salvador, na tarde desta quarta-feira, 6. A marcha é uma das ações do Acampamento Terra Livre Bahia.
Os povos indígenas seguem acampados no Centro Administrativo (CAB). A ocupação, que tem como tema "O Nosso Marco é Ancestral", segue até a quinta-feira, 7. Na sexta edição do movimento, o grupo também sai em defesa da demarcação dos territórios indígenas da Bahia.
Farmacêutica, ativista e artesã, Paula Tupinambá de Itapuã diz que a marcha é também um pedido de socorro contra o genocídio indígena.
“É um movimento em prol do direito dos povos indígenas, vamos dizer não ao genocídio e ao marco temporal, a esse sistema perverso que continua matando nossos povos daqui da Bahia e em todo o território brasileiro. Nesse momento, a Bahia está marchando, gritando e dizendo não ao marco temporal”.
Katu Tupinambá de Olivença, professor e gestor escolar, lamentou a falta de visibilidade para a causa indígena, principalmente nos ambientes escolares, e defendeu a importância da demarcação.
“É importante mostrar para a Bahia e para o Brasil, para o mundo, que nós estamos ainda firme e fortes, e esse acampamento é uma mostra disso. A demarcação das nossas terras vai nos fortalecer e trazer tudo que nós queremos, como saúde e educação”.
Jumara Payayá, professora e ativista, frisa que o marco temporal fere os direitos dos povos indígenas: “Essa história de que os indígenas só têm direito à terra depois, antes da constituição, não existe, nós somos os donos do território e nosso território foi invadido, então por isso que é justo estarmos aqui, continuarmos aqui e continuarmos lutando pela terra, a terra nos pertence, a gente cuida da terra, a gente cuida do território, a gente cuida das matas, das águas, dos rios, não tem porquê nos tomar isso, a gente não quer invadir o espaço, a gente só quer o que é nosso”.
O Acampamento Terra Livre é organizado pelo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba).
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