Bahia

Empresário expõe dificuldades dos trios elétricos no Carnaval e aponta baixa rentabilidade do setor

23 de Fevereiro de 2026 - Redação Pernambués agora
[Empresário expõe dificuldades dos trios elétricos no Carnaval e aponta baixa rentabilidade do setor]

Foto: Ascom/PMS

Uma pergunta feita pelo humorista Tiago Banha nas redes sociais sobre os entraves do Carnaval de Salvador em 2026 abriu espaço para um debate importante: o que explica os problemas recorrentes com trios elétricos na maior festa de rua do país?
As falhas começaram antes mesmo dos dias oficiais da folia. No Furdunço, o trio que puxava a banda Pagod’art apresentou defeito poucos metros após iniciar o percurso. Já na segunda-feira, 9 de fevereiro, o trio comandado por Xanddy Harmonia também enfrentou problemas técnicos.
Ao longo dos seis dias de festa, além de equipamentos que quebraram durante os desfiles, alguns artistas chegaram a cancelar apresentações por falta de condições adequadas, a exemplo de EdCity e Oh Polêmico.
Com quatro décadas de atuação no setor, o empresário Kalunga explicou, em vídeo, que a precarização dos trios está diretamente ligada à falta de retorno financeiro e ao uso limitado desses equipamentos ao longo do ano.
Segundo ele, a redução das micaretas fora de época impactou diretamente a manutenção e a viabilidade econômica dos trios. “O investimento é muito alto e a rentabilidade é baixíssima. Hoje, muitos donos de trio mantêm o equipamento quase como um hobby”, afirmou.
Em 2025, o empresário José Barreto, responsável pelos trios Barretão, também destacou os altos custos para manter estruturas de ponta, ressaltando que a qualidade sonora exige equipamentos importados e manutenção constante.
Outro ponto levantado por Kalunga foi o fato de que, atualmente, poucos artistas possuem trios próprios — realidade comum nos anos 2000. Ele destacou ainda dificuldades com manutenção mecânica e atrasos em pagamentos de contratos públicos.
O empresário Irmão, dono do trio Dragão, reforçou que a lógica econômica mudou e tornou inviável que cada artista mantenha seu próprio trio, citando exemplos de grandes carnavais fora da Bahia.
Em contraste com esse cenário, Carlinhos Brown anunciou para 2026 dois novos equipamentos: o Mr. Brown II e um Camarote Andante reformulado. Segundo o arquiteto Juan Franco, os trios trazem tecnologia de ponta, sustentabilidade e menor peso estrutural.
Levantamento do BN mostrou que o aluguel de um trio elétrico pode variar entre R$ 70 mil e R$ 500 mil, dependendo do porte e da estrutura. Para Kalunga, uma possível solução seria reduzir a quantidade de trios em circulação, concentrando mais artistas em equipamentos de melhor qualidade.

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