Salvador discute presença de animais em festas populares e eventos; entenda o debate
20 de Março de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Reprodução/ Redes Sociais
A participação de animais em grandes eventos de Salvador ganhou destaque e gerou forte repercussão nas redes sociais durante o verão entre o fim de 2025 e o início de 2026. Diversos registros mostraram tutores levando seus pets para celebrações tradicionais como a Lavagem de Itapuã, o Dia de Iemanjá, a Festa de Santa Bárbara, além de eventos como Furdunço, Fuzuê e até o Carnaval.
Diante da ampla circulação dessas imagens, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), pretende abrir um debate para avaliar a presença de animais domésticos em eventos de grande porte. Em entrevista, o secretário Ivan Euller afirmou que a gestão municipal deve promover uma reunião para discutir se a prática pode ser caracterizada como maus-tratos, além de avaliar a legalidade da conduta.
Segundo o gestor, ainda não há proposta formal em andamento, mas o tema será colocado em pauta junto à diretoria responsável pela causa animal. A expectativa é que o primeiro encontro ocorra em abril, com participação de especialistas, representantes acadêmicos e, possivelmente, membros de conselhos voltados à proteção animal.
A discussão envolve não apenas aspectos legais, mas também riscos à saúde e segurança. Profissionais da área alertam que ambientes com grande aglomeração podem expor os animais a situações como estresse intenso, desidratação, calor excessivo, lesões e contato com resíduos ou substâncias nocivas.
Além disso, há preocupações também em relação à população. Em locais cheios, animais assustados podem reagir de forma imprevisível, aumentando o risco de acidentes, arranhões, mordidas e até transmissão de zoonoses.
Especialistas destacam que a regulamentação pode variar conforme o tipo de evento e a legislação municipal, sendo fundamental que os responsáveis busquem informações prévias sobre as regras. A vigilância sanitária considera fatores como higiene, controle de circulação e riscos à saúde coletiva.
Outro ponto sensível envolve pessoas em situação de vulnerabilidade social que trabalham em eventos acompanhadas de seus animais. Nesses casos, a recomendação é que políticas públicas considerem esse vínculo, garantindo acesso a serviços veterinários, vacinação, alimentação e acolhimento adequado.
Por fim, orientações básicas incluem o uso de guia, identificação, oferta constante de água e atenção a sinais de estresse. Ainda assim, especialistas reforçam que esse tipo de ambiente tende a ser inadequado para o bem-estar dos animais.
O tema não é novo. Em 2011, por exemplo, uma decisão judicial proibiu a utilização de jegues e cavalos na Lavagem do Bonfim, após ação movida pela OAB-BA em conjunto com entidades de proteção animal.
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