Greve dos correios chega ao 23º dia com agências fechadas
10 de Setembro de 2020 - Redação Pernambués agora
Atualmente, 40 agências estão com regime parcial de funcionamento ou com serviços paralisados
Sem acordo entre funcionários e empresa, os trabalhadores dos Correios seguem em greve há 23 dias. A paralisação é nacional e cobra a manutenção dos direitos trabalhistas conquistados pela categoria há anos. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos em Alagoas (Sintect/AL), a empresa retirou o acordo coletivo que beneficiava os trabalhadores e que teria validade até 2021.
“Não houve avanço nas negociações, a empresa retirou o acordo coletivo dos trabalhadores e, por conta disso, a gente entrou em greve. Esse acordo coletivo foi julgado pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), ano passado, onde o acordo teria validade de dois anos, ou seja, até 2021, mas a empresa não cumpriu e, desde 1º de agosto, estamos sem ele”, afirmou Alisson Guerreiro.
Além disso, o presidente do Sintect/AL disse que, durante toda a pandemia, os funcionários não pararam de trabalhar.
“Os trabalhadores não pararam na pandemia; mesmo sem as condições, entramos na Justiça para ter álcool em gel, máscaras, luvas. Essa greve não é por aumento salarial, é apenas para a empresa manter o acordo coletivo. Nesta pandemia, o lucro dos Correios foi de R$ 614 milhões somente no primeiro semestre. Isso mostra que a ela tem condições de manter o acordo”, pontuou.
Conforme o sindicato, a retirada do acordo acarreta uma redução de 40% no poder aquisitivo dos trabalhadores. “Não é só o salário, mas também o ticket alimentação e outros direitos que estão sendo retirados e os trabalhadores prejudicados”.
Em todo o Brasil, cerca 25 milhões de objetos estão acumulados. Em Alagoas, 40 agências estão completamente fechadas ou funcionando de forma parcial.
Na semana passada, o vice-presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, apresentou uma proposta de renovação das 79 cláusulas vigentes no acordo coletivo, sem reajustes nas cláusulas econômicas. A proposta chegou a ser aceita pelos empregados, mas os Correios só aceitaram a manutenção de nove das cláusulas.
“A empresa entrou com o dissídio coletivo no TST, na semana passada, e o vice-presidente lançou a proposta da manutenção do acordo, porém a empresa não aceitou. A gente não queria ter greve, a gente imaginava que não houvesse este ano”, lamentou Guerreiro.
Em nota, os Correios afirmam que estão trabalhando para reduzir os efeitos da paralisação parcial dos empregados. Diz, ainda, que foram entregues mais de 2,2 milhões de cartas e encomendas em todo o país, no período da greve, e que o ritmo das entregas prossegue durante a semana, de forma a minimizar o impacto aos clientes. “A empresa aguarda o retorno dos trabalhadores que aderiram à paralisação parcial o quanto antes, cientes de sua responsabilidade para com a população”.
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