Brasil

Mãe compartilha a rotina de seu filho trans e ajuda outras mães que vivenciam histórias parecidas

04 de Dezembro de 2021 - Redação Pernambués agora
[Mãe compartilha a rotina de seu filho trans e ajuda outras mães que vivenciam histórias parecidas]

Gustavo, um garoto transexual de 7 anos. Jaciana (34), mãe do pequeno Gustavo.

A dupla, que vive em São Paulo, divide sua história e rotina em um perfil no Instagram e auxilia outros que vivenciam a transgeneridade. A história foi divulgada no site Metrópoles e conta que Gustavo iniciou sua transição aos 4 anos de idade, depois de Jaciara ser chamada na escola onde foi recomendada pelas professoras a procurar um tratamento para depressão para a ‘menina’.
Uma funcionária do colégio questionou a então ‘garota’ o que poderia fazer para que ‘ela’ se sentisse melhor e ouviu como resposta: “A senhora me tratar como menino. Porque eu não sou uma menina, sou um menino.”

Conversando com a criança, Jaci, como gosta de ser chamada, atendeu seu pedido e passou a tratá-lo como um menino. Além disso, ela renovou o guarda-roupa e o deixou escolher um novo nome. Isso foi o suficiente para a depressão passar e ele voltar a ser uma criança feliz.

“Quando trocamos o guarda-roupa em um bazar, ele abriu a sacola e chorou. Depois, vestiu uma bermuda e uma camisa social, foi para o espelho, começou a sorrir e pedir para eu olhar para ele”, contou.

No entanto, o processo começou anteriormente. “Com 2 anos, ele passou a rejeitar tudo que era feminino. Nessa época, eu não entendia absolutamente nada sobre crianças trans. Nem sabia que isso era possível”, contou Jaciana ao Metrópoles.

No período em que seu filho começou a rejeitar a identidade feminina, a família morava em Fortaleza. “Ele apanhava e chorava na escola, as crianças não brincavam com ele”, relembrou.

Depois da mudança da família para São Paulo, Gustavo começou a receber atendimento psicológico, psiquiátrico e pediátrico no Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria, do Hospital das Clínicas (HC).

Para relatar a rotina de Gustavo, Jaciana criou uma conta em parceria com o filho onde são publicados fotos e vídeos de dancinhas em momentos de diversão do pequeno, mas, sobretudo, relatos e informações a respeito de sua transição.

O perfil @jacianaegustavinho criado em 2020, possui mais de 22 mil seguidores e, através do espaço, Jaciana dá dicas sobre como obter atendimento médico especializado e serviços jurídicos. Até o momento ela já ajudou 35 mães que vivenciam histórias parecidas à dela.

Transfobia e Genocídio

Transgênero são pessoas que possuem a percepção de pertencer a um gênero que não condiz com o atribuído pela sua genitália de nascimento. Nesses casos, o sentimento de discordância entre o sexo biológico e o gênero geralmente é experimentado pelo indivíduo ainda na infância.

Vivências identitárias de gênero divergentes das socialmente aceitas são patologizadas e submetidas a preconceitos e discriminações que, no extremo, terminam com o assassinato de pessoas pelo fato de serem da população transgênero (transexuais e travestis). 

O Brasil lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans no mundo. O dado é do “Dossiê: assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras em 2020”. Essa violência letal de gênero, afigura-se, em um nível superficial, na categoria dos crimes de ódio, e em um nível mais profundo, como uma forma de genocídio. 


Entendendo a diversidade sexual

A Defensoria Pública da Bahia elaborou, em 2018, uma cartilha que ajuda a entender os principais termos do público LGBTQIA+. Assim o leitor pode desmistificar o que foi aprendido erroneamente sobre identidade de gênero, identificar termos que estão em desuso e que são preconceitos. E entender que “os conceitos de masculino e feminino são noções construídas socialmente e, assim sendo, modificam de cultura em cultura e de época em época. Por esse motivo que Simone de Beauvoir afirmou que “não  se nasce mulher, torna-se mulher.

Pernambués Agora com informações do site Metrópoles/ Dossiê: assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras em 2020/ Artigos Científicos


 

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