Cultura

Prefeitura de Salvador reconhece o Terreiro Ilê Axê Kalé Bokun como Patrimônio Cultural da cidade

11 de Março de 2019 - Redação Pernambués agora
[Prefeitura de Salvador reconhece o Terreiro Ilê Axê Kalé Bokun como Patrimônio Cultural da cidade]

A Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, reconhece o Terreiro Ile A?é Kalè Bokùn como Patrimônio Cultural da cidade, o primeiro terreiro de Nação Ijexá tombado no Brasil

O ato solene do tombamento municipal será dia 12 de março, às 17h.

Em fevereiro de 2016, a Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia – AFA, oficializou o pedido de tombamento do Terreiro na FGM. Visando atender ao que determina a regulamentação da Lei n. 8.550/14, foi entregue notificação de abertura do processo PR FGM n. 217/16, assinada em junho do mesmo ano, pela então dirigente do culto dessa casa, a Yalorixá Estelita Lima Calmon, que, por estar em idade avançada, veio a falecer no dia seguinte, entrando o terreiro em axexê.

Em novembro de 2016, A AFA, na pessoa do seu Presidente, Leonel Monteiro, juntamente com a Egbomi Vânia Amaral, na época representante do terreiro e hoje a Yalorixá dirigente, além do professor Vilson Caetano, entregou ao Presidente e à Diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM o Laudo Etno Histórico desse templo, de Nação Ijexá, fruto de rica pesquisa do referido professor, revelando elementos importantes acerca da presença dos africanos ijexá em Salvador, da continuidade história do templo e da sua herança ancestral, além de aspectos das edificações que o compõem e das espécies etno-botânicas que são encontradas na área de mato. Foi ainda entregue plantas baixas dos imóveis, que compõem o terreiro, e registros acerca do seu estado de conservação.

A instrução técnica do processo, que visa atender à regulamentação da Lei Municipal nº 8550/14, contou com levantamento topográfico pela SUCOP e georreferenciamento do terreno pela SEFAZ, sendo emitido parecer, com avaliação preliminar quanto ao mérito de tombamento municipal, para análise e parecer conclusivo do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Se observa, no Dossiê técnico da FGM entregue para relatoria do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em julho de 2018, que, além dos imóveis, que compõem a expressão do culto afro-brasileiro, é digno de preservação o mobiliário do templo, tendo essas peças sido registradas em fichas de catalogação. Após aprovação do Conselho, em setembro do mesmo ano, foi feito o encaminhamento ao Prefeito de Salvador, que aprovou a inscrição no livro de tombamento e o título ao Ile A?é Kalè Bokùn de Patrimônio Cultural do Município de Salvador.

Na proposta de tombamento desse Terreiro, da nação ijexá, encaminhada pelo Sr. Leonel Monteiro, Presidente da AFA, foi ressaltado que esta comunidade de terreiro preserva raro legado ancestral em vias de extinção, se constituindo “...no mais importante (talvez o único) Terreiro de Candomblé de Nação Ijexá no País”, e que preserva ainda rituais específicos, que exaltam o poder ancestral feminino, por meio do culto Geledé, além de “importante patrimônio ambiental envolvendo fonte, centenárias árvores e plantas sagradas”.

Para Milena Tavares, Diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM,  “O tombamento do terreiro Ile A?é Kalè Bokùn preserva elementos de referência da tradição Ijexa, presentes na cidade. A casa é referência da memória do Babalorixá Severiano Santana Porto, que implantou o templo no subúrbio ferroviário, nos primeiros anos do século passado, assim como daqueles que deram continuidade ao seu trabalho: Claudionor dos Santos Pereira, Estelita Lima Calmon e a atual Yalorixá Vânia Amaral, vinculando-se à história do bairro de Plataforma, um dos mais antigos de Salvador, local de grande expressão da população afro-descendente e de concentração de casas de Candomblé.”

A atual Yalorixá, Vânia Santos Amaral, declara, sob forte emoção, após fazer reverências aos ancestrais que, hoje, “podem se considerar como um espaço de terreiro que foi reconhecido pelo município como patrimônio da cidade e isso quer dizer que meu povo foi reconhecido! Reconhecidos pelas lutas que todos aqui passaram e os que aqui estão, preservando esse lugar de prática e crença religiosa. Fico feliz e renovada de fé e esperança, por mais este acontecimento, pois os meus antepassados lutaram! Lutaram! Em destaque, a minha Yalorixá, Estelita Calmon, que muito se dedicou a esse terreiro. Adupé! Adupé iyas por terem sido incansáveis para perpetuar esse Ilê Asé! Adupé, iyas, vocês foram valentes e dedicadas! Adupé, Orisás! Mojubá! Mojubá!”.

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