Cultura

Diversidade e tradição: a mistura que faz a fama da Lavagem do Bonfim

17 de Janeiro de 2020 -Redação Pernambués agora
[Diversidade e tradição: a mistura que faz a fama da Lavagem do Bonfim]

Gente de todas as idades, da capital, do interior e até do outro lado do Atlântico. Tem, inclusive, majestade

 

A diversidade de povos voltou a marcar mais um ano de cortejo da Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (16). A Lavagem do Bonfim atraiu cerca de dois milhões de pessoas. O evento faz parte da programação da festa ao Nosso Senhor do Bonfim, com celebrações católicas realizadas do dia 9 a 19 de janeiro. O tema deste ano é “Senhor do Bonfim, 275 anos de devoção, veneração e proteção”. A festa também tem um lema: “Ontem, hoje e sempre sob a sombra da tua cruz”.


A festa, considerada uma das maiores manifestações de fé do estado, reuniu milhares de fiéis, simpatizantes e curiosos logo nas primeiras horas da manhã, durante a concentração na Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio.


Para amenizar o calor e se proteger do sol – eram 8h da manhã quando a temperatura da cidade já chegava na casa dos 29 graus -, o que se viu foi gente comprando bonés, chapéus e óculos escuros, segurando uma garrafa de água mineral e se refrescando com abanador. “Faça chuva ou faça sol, o que importa é pedir muita proteção e saúde ao Senhor do Bonfim”, disse uma cidadão, perto do Elevador Lacerda.


Rei Momo e estrangeiros - No meio da multidão, entre acenos e parada para fotos, quem dava o ar da graça na festa em homenagem ao padroeiro do estado foi o Rei Momo .“A pouco mais de um mês para o Carnaval, estou aqui para pedir que a folia tenha muita paz, muito amor e render graças ao Senhor do Bonfim”, contou Renildo Barbosa, 43, que participa do cortejo como realeza pelo terceiro ano.

Mais uma vez, a força e a tradição da Lavagem do Bonfim ultrapassaram os limites do continente. O empresário Juan Escudero, 56, saiu de Ilhas Canárias, um arquipélago da Espanha, para participar dos festejos. Para ele, a devoção do povo baiano é o diferencial: “Gosto muito das pessoas daqui. São alegres, receptivas e fervorosas na fé. Eu, como católico, pretendo ir até a Colina Sagrada para fazer um pedido especial que não posso revelar porque é segredo”, confessou.


Outro que veio "turistar" pela terra do dendê foi Patrick Iron, 28. Ele, que saiu da cidade de Nova Venécia, no Espírito Santo, afirmou que participou do evento religioso em 2018 e resolveu voltar para começar este ano com “o pé direito”. “A energia daqui é muito boa. A ideia é começar 2020 bem para que tudo siga conforme nossos desejos”, disse.


Agradecimento e pedidos - Como é de costume, uma multidão de devotos participa da festa para agradecer ou pedir alguma bênção. As súplicas são por mais paz, saúde, amor, prosperidade, união. Mas há também quem use a fé a favor para que o time amado faça uma temporada brilhante em 2020. 


Foi o que fez Paulo Sérgio Santos, 58. Adornado com as cores azul, vermelho e branco, além de diversas fitas ao Senhor do Bonfim e uma cruz de isopor, o morador do bairro de Plataforma e torcedor fanático do Bahia revelou: “Vim agradecer pelo novo CT do clube e meu pedido é que, se time for tricampeão brasileiro este ano, vou realizar um caruru com cinco mil quiabos para distribuir no Pelourinho”.

Um dos momentos mais esperados é o da lavagem das escadarias da Basílica Santuário Senhor do Bonfim, feita pelas baianas, com água de cheiro. Na ocasião, muitos fiéis pagam promessa e aproveitam também para agradecer e pedir bênçãos e proteção.


Origem - De acordo com historiadores, o culto ao Nosso Senhor do Bonfim começou em 1745, quando a imagem do santo foi trazida pelo capitão português Teodósio Rodrigues de Farias, ao cumprir uma promessa que fez depois de ter sobrevivido a uma forte tempestade. As homenagens, no entanto, iniciaram de fato em 1754, ano em que a imagem foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria igreja, construída na Colina Sagrada.

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