Consciência Negra: “Não tenho tempo de ter medo”, disse Carlos Marighella, símbolo de resistência por sua coragem e luta
09 de Novembro de 2021 - Redação Pernambués agora
O ‘Novembro Negro’ é um grande cenário para articulações políticas de Ações Afirmativas, reparações históricas e luta contra desgoverno que intensificou o racismo
O período é o momento de reviver grandes nomes que foram símbolos de resistência de coragem e luta. Dentre esses nomes, Carlos Marighella, homem preto e revolucionário à frente do seu tempo, foi considerado o inimigo ‘número um’, na luta armada contra a Ditadura Militar, que assassinou, torturou e desapareceu com pessoas que foram opostas ao regime. “Não tenho tempo de ter medo”, frase dita por ele durante uma entrevista à revista francesa Front (1964) é uma referência atual a todos que lutaram e lutam diariamente em favor de uma sociedade mais justa.
O filme Marighella, dirigido pelo ator baiano Wagner Moura, conta a história de um guerrilheiro baiano, que tentou articular uma frente de resistência enquanto denunciava o horror da tortura e a censura instalados por um regime opressor. Em uma experiência radical de combate armado, ele o faz em nome de um povo cujo apoio à sua causa era incerto. Em 4 de novembro de 1969, há 52 anos atrás, Carlos Marighella foi assassinado pela ditadura militar brasileira.
A obra cinematográfica sofreu uma série de interdições (censura) do atual governo federal, em 2019, e só agora em 2021 que pode ser estreado. Antes de sua estreia no Brasil, o filme passou por festivais em Berlim, Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo, entre cerca de 30 exibições em países dos cinco continentes. É a produção mais vista desde o início da pandemia, em março de 2020. Marighella traz no elenco o cantor e compositor Seu Jorge, no papel principal, Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão, Adriana Esteves, Bella Camero, Maria Marighella, Ana Paula Bouzas, Carla Ribas, Jorge Paz, entre outros.
Estreia no Assentamento do MST
No último sábado (6), a estreia aconteceu no assentamento Jacy Rocha, em Prado, extremo sul do estado da Bahia. A região tem sofrido ataques de grupo bolsonarista, que tenta tomar a área do movimento. O evento começou por volta das 9 horas com a Plenária dos Povos de Terreiro, Indígenas e Quilombolas e seguiu durante a tarde, com o lançamento do Plano Nacional ‘Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis’, reafirmando a meta de plantio de 100 milhões de árvores pelo MST.
Estiveram presentes várias frentes políticas, trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, coletivos de jovens e estudantes como por exemplo o Quilombo e o Levante Popular da Juventude. Os povos indígenas marcaram presença com falas importantes - sobre o aumento taxa de assassinato aos povos originários e demarcações de terras - e místicas que levaram o público a reflexões profundas. Estiveram presentes do filho de Marighella, Carlinhos Marighella, o diretor do filme, Wagner Moura e alguns atores como Herson Capri, Bella Camero e o pastor Henrique Vieira.
Para Wagner Moura, a obra finalmente encontrou o seu público e revela que o MST mostra que ser artista, em um momento que o Brasil enfrenta políticas negacionistas e contra o povo pobre, está fazendo todo sentido. “Apresentar o filme nesse assentamento nos dá a sensação de que finalmente o filme encontra com seu público. O MST nos inspira e essa é uma noite que faz com que ser artista tenha sentido, que signifique algo”, completou.
Foto: Pernambués Agora
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