'Ele disse que me cobraria taxa de R$ 400', diz mulher sobre médico do SUS
28 de Março de 2013 - Piatã
Uma grávida fez uma nova denúncia contra o médico do SUS que é suspeito de cobrar para antecipar as consultas de pacientes na Santa Casa de Misericórdia, região sul da Bahia.
Nesta quarta-feira (27), uma gestante de nove meses, que não quis se identificar, denuncia que o médico obstetra Paulo Roberto Bitencourt cobrou dinheiro por uma cirurgia de laqueadura feita pelo SUS. "Conversei com ele, que queria laqueadura, porque já iria ser o quarto [bebê] e ele me disse que cobraria uma taxinha de R$ 400", afirmou.
O obstetra também foi alvo da denúncia por parte do marido de outra grávida, que esperava pelo atendimento por cerca de três horas. Na terça-feira (26), o médico preferiu não dar entrevista. Sem saber que a câmera estava ligada, o obstreta confessou a prática. "Não é que esteja cobrando. Não chego aqui e cobro. É o doente que vai lá e paga para ser atendido. Quando chego, a taxa já está aqui", diz. Questionado sobre o destino do dinheiro, ele afirmou: "Essa taxa fica comigo". Segundo ele, o dinheiro não impossibilita que gestantes que não pagam deixem de receber o atendimento.
O médico foi procurado, mas disse que só vai falar sobre o caso depois de conversar com o advogado. Segundo o Conselho Regional de Medicina, foi aberta uma sindicância para apurar a denúncia. Se comprovada, o médico pode receber advertência ou até perder o registro profissional. A Secretaria Municipal de Saúde em Ilhéus disse que vai fazer uma auditoria para investigar as denúncias.

Denúncia
David Coelho, marido de uma jovem Laís Magalhães, moradora na zona rural, relatou como ocorreu o pagamento. "O rapaz pega a identidade, R$ 50 e leva até o médico. Existem pessoas aqui dentro, testemunhas, que viram ocorrer isso várias vezes", alertou. "Eu já estive aqui duas vezes e não consegui ser atendida por conta da quantidade de pessoas, aí eles começam a atender, depois param e a gente não consegue receber o atendimento", lamenta.
Na unidade de saúde, o recepcionista José Aroldo também explicou como funciona a cobrança, e a classificou como "taxa de prioridade". "É uma taxa de prioridade. Ele [médico] pega o nome da pessoa e atende com exclusividade", detalha. Segundo o funcionário, somente o obstreta Paulo Roberto Bitencourt realiza a prática. O provedor da Santa Casa, o médico Eusínio Lavigne, disse que não sabia da cobrança da taxa e que a direção foi acionada para investigar o caso. Fonte: G1 Bahia
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