Cunha tinha gastos milionários em viagens ao exterior
05 de Março de 2016 - Miqueias SantosDespesas com cartão de crédito ligado a contas secretas de Cunha e seus familiares durante viagens à países do exterior chegaram a R$ 23 milhões.
A mais recente denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revela que o mesmo manteve gastos milionários com hotéis, restaurantes de alto padrão e lojas de luxo no exterior, entre os anos de 2012 e 2015.
A acusação mostra despesas foram feitas com cartão de crédito ligado a contas secretas do peemedebista e familiares durante viagens a países como Estados Unidos, Portugal, Suíça, Rússia, França, Itália, Espanha e Emirados Árabes. Essas contas receberam depósitos que somam R$ 23 milhões.
A passagem de Cunha por Miami (EUA) no final de 2012, quando foram desembolsados R$ 169,5 mil (US$ 42.258), em sete dias chamou atenção dos procuradores. Os gastos incluem duas diárias de US$ 23 mil no Hotel The Perry, US$ 3,5 mil na loja Ermenegildo Zegna, US$ 1,5 mil na Giorgio Armani, além de US$ 1,2 mil no Restaurante de alto padrão Joes Stone Crab.
Na época, Cunha declarou receber salário de R$ 17,7 mil. Quando ainda era líder do PMDB na Câmara em fevereiro de 2013, ele gastou em cinco dias US$ 1 mil no hotel The Dolder Grand e mais R$ 3,6 mil no Hotel Baur Au Lac, que ficam em Zurique (Suíça) e mais US$ 5,9 mil no Hotel Criollon, em Paris.
Em fevereiro do ano passado, Cunha também realizou mais uma viagem internacional com gastos exorbitantes, pagando US$ 15,8 mil no Hotel Plaza Athenee, US$ 1,4 mil no restaurante Paço D’Arcos, em Portugal, além de US$ 8 mil na loja de roupas masculinas Textiles Astrum France.
A acusação relata que as despesas pessoais de Cunha foram custeadas por propina de contratos com a Petrobras na África e são “completamente incompatíveis como os rendimentos lícitos declarados do denunciado e seus familiares”. De acordo com a denúncia, ele teria recebido mais de R$ 5 milhões em propina para manter o esquema de corrupção na Petrobras e atuar na Diretoria da Área Internacional facilitando a compra do campo de Benin - ao custo de R$ 138 milhões para a estatal.
A denúncia também traz acusações contra o deputado de crime de falsidade ideológica eleitoral por omissão de rendimentos na prestação de contas eleitoral. Se a ação for aberta, a Procuradoria quer a perda do mandato parlamentar. A PGR pede ainda que seja aplicada multa de R$ 20 milhões por danos morais pelos crimes na qual envolvem o esquema.
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