Bolsonaro ameaça técnicos da Anvisa e Boulos reage: “é um miliciano, não um presidente”
17 de Dezembro de 2021 - Revista Fórum
Durante a sua tradicional live de quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ameaçou divulgar o nome dos técnicos da Agência Nacional de Saúde (Anvisa) que votaram a favor de liberar a vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos
Diante disso, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos, reagiu e afirmou que Bolsonaro “é um miliciano e não um presidente”.
Para Boulos, a divulgação dos nomes dos técnicos da Anvisa é temerária, visto que eles foram ameaçados de morte pelo mesmo motivo: vacinação de crianças contra a Covid.
“Em outubro, diretores da Anvisa foram ameaçados de morte caso aprovassem vacina contra a Covid para crianças. A aprovação saiu ontem. O que Bolsonaro fez? Disse que vai divulgar os nomes dos técnicos que fizeram a aprovação. É um miliciano, não um presidente”, criticou Boulos.
Técnicos da Anvisa estudam reação contra a Bolsonaro
Após a ameaça feita pelo presidente Bolsonaro, técnicos da Anvisa estudam uma reação contra o presidente.
Todavia, ainda não se sabe qual tipo de reação, que pode ser por meio de uma nota.
A preocupação dos trabalhadores da Anvisa é que a fala de Bolsonaro instiga a ataques contra os técnicos, principalmente quando ele se refere aos pais e às crianças.
“Não sei se são os diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico, mas, seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho”, disse Bolsonanor em sua live.
Em seguida, ele afirma que tal ação da Anvisa “mexe com as crianças”. “Agora mexe com as crianças. Então, quem é responsável é você pai. Tenho uma filha de 11 anos. Vou estudar com a minha esposa qual decisão tomar”.
Técnicos são ameaçados de morte
Os cinco diretores da Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) receberam ameaças de morte por e-mail de pessoas para que não aprovem a vacinação de crianças contra a Covid-19.
As ameaças aconteceram na mesma semana em que a farmacêutica Pfizer declarou que vai entrar com pedido de uso emergencial de seu imunizante em pessoas com idade de 5 a 11 anos.
A Anvisa declarou que já notificou as autoridades policiais e o Ministério Público nas esferas Federal, Estadual e Distrital. Outras medidas de segurança também serão adotadas pela agência.
Por fim, a Anvisa é a responsável por liberar ou não o uso de determinado imunizante em crianças, jovens e adultos. Por sua vez, a Pfizer declarou que o pedido do uso emergencial da vacina em criança deve ocorrer ao longo do mês de novembro.
Foto: Reprodução redes sociais Guilherme Boulos
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