Saúde

Jovens e pessoas pardas mais vulneráveis ao vírus da dengue na Bahia

18 de Março de 2025 - Redação Pernambués agora
[Jovens e pessoas pardas mais vulneráveis ao vírus da dengue na Bahia]

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

De acordo com o Painel de Monitoramento do Ministério da Saúde, o número de infectados pelo vírus da dengue na Bahia, nas primeiras semanas de 2025, é maior entre os jovens de 15 a 29 anos e pessoas pardas. Até quinta-feira (13), já foram registrados mais de 8.353 casos prováveis da doença no estado.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o pesquisador da Fiocruz Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Guilherme Ribeiro, falou sobre o cenário atual da dengue, que passou por um aumento significativo em 2024, e como isso impacta o estado.
No ano passado, a Bahia atingiu 31.170 casos prováveis em fevereiro. O Painel de Monitoramento contabiliza os dados conforme o mês e ano em que os sintomas surgem. Em fevereiro de 2025, foram 4.402 casos prováveis e o índice de incidência atual é de 56,3 por 100 mil habitantes, considerado um período de “baixo” risco de transmissão.
“A dengue é uma doença cíclica, com picos de epidemias e períodos de transmissão endêmica, que ocorrem de forma esperada. Embora tenhamos vivenciado uma grande epidemia em 2024, a dinâmica de disseminação não é a mesma em todo o país ao mesmo tempo”, explicou Ribeiro.
Segundo os registros do Ministério da Saúde, os jovens de 20 a 29 anos são os mais afetados, com 2.085 casos, seguidos pela faixa de 15 a 19 anos com 917 casos e adultos de 30 a 39 anos com 1.377 casos. Ribeiro explicou que a maior vulnerabilidade dos jovens se deve à exposição ao vírus ao longo da vida, o que não acontece com os mais velhos, que têm maior imunidade por conta de infecções anteriores.
“Pessoas mais velhas têm mais chances de terem sido expostas a infecções anteriores e, por isso, estão mais protegidas. Uma pessoa de 60 anos pode ter se infectado até três vezes e, por isso, já está imune”, detalhou o pesquisador.
Sobre os jovens, ele observa que, com menor tempo de vida, esses grupos têm menor exposição ao vírus, o que os torna mais suscetíveis. Ele também aponta que países onde o vírus circula há mais tempo, como os do Sudeste Asiático, têm uma maior incidência de casos em crianças pequenas.
Ribeiro destacou que o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, encontra um ambiente propício para sua reprodução em áreas urbanas, onde a proximidade entre as pessoas facilita a disseminação do vírus.
A análise do perfil demográfico dos infectados revela que, na Bahia, 63,47% dos casos são de pessoas pardas, 54,72% dos infectados são mulheres, e 45,28% homens. O cenário urbano da Bahia, onde a maioria da população se identifica como preta ou parda, está diretamente relacionado ao aumento da transmissão.
“O padrão de vida nas grandes cidades, com grande densidade populacional, e a falta de infraestrutura adequada, como coleta de lixo e abastecimento de água, são fatores que contribuem para a reprodução do mosquito e o aumento de casos”, concluiu Ribeiro.
Em relação ao cenário nacional, a Bahia ocupa a 15ª posição em termos de incidência de dengue. No total, o Brasil registrou quase 570 mil casos prováveis, o que representa uma queda de 69,25% em comparação com 2024.

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