Morte encefálica: entenda o que é e quais etapas são necessárias para confirmar o diagnóstico
09 de Março de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Reprodução / Shutterstock
Em situações de pacientes em estado crítico, é comum surgirem informações sobre suspeita de morte cerebral, tecnicamente chamada de morte encefálica, antes mesmo de o diagnóstico ser oficialmente confirmado.
Um caso recente que gerou repercussão foi o de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, preso na operação Compliance Zero, que tirou a própria vida em uma cela da Polícia Federal em Minas Gerais.
A diferença entre suspeita e diagnóstico definitivo tem explicação médica e segue protocolos rigorosos. Para esclarecer o tema, especialistas explicaram como funciona o processo de confirmação da morte encefálica.
O que é morte encefálica?
Segundo o médico intensivista Fábio Gomes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, quando a morte encefálica é confirmada, ela é considerada equivalente à morte do paciente.
A confusão ocorre porque, em muitos casos, o coração ainda continua batendo. Isso acontece porque o órgão possui um sistema próprio de funcionamento, capaz de manter os batimentos mesmo sem atividade cerebral.
No entanto, quando ocorre a morte encefálica, todo o encéfalo deixa de funcionar. Isso inclui o córtex, responsável pelas funções cognitivas, e o tronco encefálico, que controla funções vitais como a respiração.
Nessas condições, o paciente não respira sem auxílio de aparelhos e não apresenta qualquer atividade cerebral. A reversão do quadro não é possível.
Diferença entre suspeita e diagnóstico
Especialistas explicam que existe diferença entre suspeitar de morte encefálica e confirmar o diagnóstico.
O protocolo para confirmação é rigoroso e possui critérios bem definidos para ser iniciado.
Segundo o neurocirurgião Marcelo Valadares, o processo costuma ocorrer em três etapas e exige avaliações clínicas detalhadas.
Como o diagnóstico é confirmado
O protocolo brasileiro para diagnóstico de morte encefálica segue normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Ministério da Saúde.
Primeiro, é necessário que o paciente esteja em coma profundo e não apresente respostas a estímulos. Também é preciso identificar a causa do coma, além de garantir estabilidade mínima de pressão arterial e oxigenação.
Sedativos e anestésicos devem ser suspensos, e exames laboratoriais precisam confirmar que nenhuma substância está provocando o estado de inconsciência.
Depois disso, são realizadas duas avaliações neurológicas clínicas, feitas por médicos diferentes, com intervalo mínimo entre elas.
Durante esses exames, os profissionais verificam reflexos essenciais do cérebro, como reação das pupilas, resposta da córnea e reações auditivas.
Também é realizado o teste de apneia, que avalia se o paciente consegue respirar sem auxílio.
Se as avaliações indicarem ausência de atividade neurológica, é realizado um exame de imagem cerebral, geralmente um doppler transcraniano, para verificar se ainda há circulação sanguínea no cérebro.
Somente quando todas essas etapas confirmam a ausência de atividade cerebral é que o óbito pode ser oficialmente declarado.
O processo completo costuma levar entre 24 e 48 horas.
Após a confirmação da morte encefálica, pode ser iniciada a discussão sobre doação de órgãos. Caso a família autorize, o corpo é mantido com suporte médico para preservar os órgãos destinados a transplantes.
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