Brasil

“A vontade é encher tua boca com porrada”, diz Bolsonaro a repórter que o perguntou sobre Queiroz

24 de Agosto de 2020 - Redação Pernambués agora
[“A vontade é encher tua boca com porrada”, diz Bolsonaro a repórter que o perguntou sobre Queiroz]

Só no primeiro semestre, presidente fez 245 ataques à imprensa

Desta vez, mandatário foi indagado sobre repasses de 89.000 reais à primeira-dama feitos por ex-assessor investigado.
O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a imprensa neste domingo. Durante uma breve visita a vendedores ambulantes da Catedral de Brasília, um repórter do jornal O Globo perguntou ao presidente sobre os motivos de Fabrício Queiroz, ex-assessor do seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), ter repassado 89.000 reais para a conta da primeira-dama Michele Bolsonaro.
Em um primeiro momento, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o presidente rebateu perguntando ao jornalista sobre os supostos repasses mensais feitos pelo doleiro Dario Messer à família Marinho, proprietária da Rede Globo e do jorna O Globo. Após a insistência do repórter sobre os pagamentos à Michelle, Bolsonaro respondeu: “A vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?”. De acordo com a Folha, o mandatário foi indagado por mais essa agressão a um profissional de imprensa. Mas ele ignorou os questionamentos.
Uma reportagem publicada pela revista Crusoé revelou que o ex-assessor do senador Flávio e ex-policial militar Fabrício Queiroz depositou pelo menos 21 cheques na conta da primeira-dama. As transações, feitas entre 2011 e 2018. Conforme a revista, as transferências foram identificadas na quebra de sigilo bancário de Queiroz.
A revelação contraria a versão dada pelo presidente Bolsonaro de que o depósito no valor de 24.000, desde dezembro de 2018, era parte do pagamento de um empréstimo de 40.000 que fizera ao ex-policial. Desde que esses novos valores foram revelados, Bolsonaro não apresentou a razão dos depósitos terem ocorrido para sua mulher.
Só no primeiro semestre de 2020, presidente Bolsonaro fez 245 ataques contra o jornalismo. O monitoramento foi feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Conforme a instituição, foram 211 casos de descredibilizarão da imprensa, 32 ataques pessoais a jornalistas e 2 ataques contra a FENAJ.

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